sábado, 2 de abril de 2022

Espaço criativo - Voz do aluno por Patrícia Quelhas



 Neste convite à partilha de produção original, a BE convida os alunos a produzirem textos originais quer em prosa ou em poesia que publica no blogue e na revista da escola para dar a conhecer os talentos literários dos nosso alunos e valorizar a sua produção divulgando-a à comunidade.

Partilhamos aqui alguns  poemas de Patrícia Quelhas.


És como os versos,

não me canso de te ler,

como os poemas,

não me canso de te escrever,

como o mar,

o teu estar,

que tanto me assusta,

és como as histórias antigas,

não me canso de admirar,

mas não consigo decifrar,

o teu nome,

ele causa tanto tumulto,

que para uns chega a ser insulto,

tu tão doloroso e saboroso,

tu que matas e salvas,

tu o amor.

 

 

Sinto pena do amor,

tão desvalorizado,

tão sem cor,

sinto pena dos jovens,

tão fortes mas fracos,

tão assustados no mundo dos homens,

sinto pena dos artistas,

comparados com monstros,

e os poetas coitados,

a amar um amor que não existe,

sempre tão cansados,

usam a escrita para fugir deste mundo,

para fugir deste tempo tão vagabundo.

 

 

                        **************

Mas, afinal, o que queres?

Oh uau,

isso é uma pergunta complicada,

apanhou me desprevenida,

deixando a minha mente calada,

e um pouco dolorida, 

um tanto difícil de responder,

pensar no que eu quero e desejo,

não sei o que querer,

mas se puder escolher,

quero um cortejo,

como queria que vissem o que vejo, 

olho para mim,

e para os outros,

todos confusos e loucos,

sonhar com a cor pálida do jasmim,

pena que isso é estúpido para poucos, 


se eu quero querer,

e se eu querer o que não posso ter?

o que de mim vai ser?

uma mortal sem alma,

sem desejos ou sonhos,

sem vida ou cortejos.


Nestes cruéis tempos,

pouco se vê,

jovens e apaixonados,

ela, tão misteriosa como a lua,

ele, radiante como o sol,

que fazia os olhos dela brilhar,

eles são o eclipse,

que todos anseiam para ver,

eles sim sabem amar,

penso que nesta minha monótona existência,

nunca torci tanto por uma história como esta,

eles que não param de sonhar,

fingem não se importar,

mas os de fora facilmente percebem,

a linha vermelha nos seus dedos atar,

que dos dois tentam cuidar,

ambos perderam-se no caminho,

mas como o destino é justo,

um com o outro voltaram a ficar,

mesmo quando o mundo é uma confusão,

um no outro encontram paz,

e tudo desaparece,

como é magnífica a magia do amor.


  (...)As pessoas, parece que elas se esqueceram do que é amar alguém.

  Agora o amor é deitado fora, os beijos são competição, os abraços são inúteis, as

relações são superficiais, para tristeza de Saturno as alianças são só um pedaço de metal,

as cartas são só papel escrito e o toque é só carnal.

  O amor agora é só mais uma mentira bonita como tantas outras por aí.

  O amor perdeu a beleza, o esplendor e o significado.

Porque me odeias?

faço de tudo para te deixar com orgulho,

mas mesmo assim nunca é suficiente,

toda esta pressão que me consome,

este perfeccionismo que eu tanto exijo de mim mesma,

será que só me vais notar quando eu desaparecer? 

só queria voltar a ser a menina dos teus olhos,

a tua pequena princesa,

mas parece que quanto mais eu tento,

mais eu me parto em míseros pedaços,


não te aproximes,

não te quero cortar,

muito menos magoar,

só queria voltar a ver os teus olhos brilhar.


 


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