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quarta-feira, 29 de novembro de 2023

4.º prémio Literário Fernanda Botelho - Convite à comunidade

 

Poster - Fernada Botelho : exposição biográfica

Convite à comunidade para o IV Prémio Literário Fernanda Botelho e inauguração da exposição biográfica sobre a autora na Biblioteca Municipal do Cadaval dia 1 de Dezembro às 15h.

Contamos com a sua presença.




sexta-feira, 26 de maio de 2023

Detonação Iridescente - ART Cadaval

Alunas em visita imersiva à exposição DETONAÇÃO IRIDESCENTE

No âmbito do programa cultural ART CADAVAl, comissariado pela arquiteta Joana Botelho (Associação Gritos da Minha Dança)  as alunas da turma de artes do 10.º ano foram convidadas a participar na atividade DETONAÇÃO IRIDESCENTE das autoria das artistas plásticas BUNNY & PATS (nomes artísticos) com uma visita guiada à exposição inserida na Casa Memória de Fernanda Botelho na Vermelha na qual pudemos ver as obras concebidas para esta exposição integrada com as restantes obras de arte imersas no ambiente especial desta Casa Memória. Esta exposição imersiva criada especificamente para estes espaços, interagem num diálogo permanente entre o antigo, clássico e o moderno num contraste de cores e ironias criadas a partir de materiais reciclados e variadíssimos suportes que fomentam uma ideologia de arte sustentável com foco na criatividade alicerçada numa lógica de parcerias e sinergias criativas cujo o resultado se consubstancia nas diferentes obras apresentadas.

Visita imersiva  à exposição

 Num segundo momento foi dinamizada a oficina criativa com múltiplos desafios que proporcionaram percursos diversos de experiências criativas e emocionais, levando as alunos a interagirem com as peças em criação de diversos pontos de vista relacionando os suportes e os materiais numa perspectiva sustentável, respeitando o ambiente nas suas práticas criativas e transformadoras, recorrendo a um leque variado de abjectos que puderam aplicar num constante desconstruir e construir em novos contextos, dando uma nova vida e novo valor a estes objetos. 


Oficina criativa no jardim da Casa Memória Fernanda Botelho

Esta atividade contribui para a concretização dos ODS 4 - Educação de qualidade e 17 - parcerias para o desenvolvimento , envolvendo as parcerias entre a Associação Gritos da Minha Dança, a autarquia, a Rede de Bibliotecas do Cadaval, o Museu Municipal do Cadaval e o Agrupamento de Escolas do Cadaval.  A atividade insere-se também no plano de atividades da Biblioteca Escolar, contribui para a concretização do Projeto Cultural de Escola no âmbito do Plano Nacional das Artes



 

terça-feira, 6 de julho de 2021

DAC - A Educação e os Jovens : passado, presente e futuro : Entrevista com Drª Tânia Camilo

 No âmbito do DAC- A Educação e os Jovens : passado, presente e futuro, os alunos do 10.º B realizaram vários desafios para compreenderem como a educação tem evoluído ao longo dos tempos , como passou de um privilégio a um direito humano fundamental. Entre os diferentes desafios, estão um conjunto de entrevistas realizadas aos promotores e colaboradores do PROGRAMA DAS ARTES FERNANDA BOTELHO.

Partilhamos aqui a entrevista realizada pelos alunos Jorge e Rodrigo à Drª Tânia Camilo, Coordenadora da Biblioteca Municipal do Cadaval e colaboradora e representante do município do Cadaval no âmbito do projeto pedagógico artístico e cultural - Programa das Artes Fernanda Botelho.


J,R: Dr.ª Tânia Camilo, fale um pouco sobre a sua experiência profissional.

TC: Portanto, eu sou bibliotecária, há anos, da Biblioteca Municipal do Cadaval, e isto implica a responsabilidade de planificação das atividades da biblioteca, a gestão dos recursos humanos e materiais da biblioteca, coordenação dos diversos serviços da biblioteca municipal e, no caso desta entrevista, visto que estamos aqui, tem a ver também com o estabelecimento de parcerias entre a câmara municipal através da biblioteca com as entidades locais que possam contribuir para o desenvolvimento cultural local, no caso do Programa das Artes Fernanda Botelho, em parceria com o Agrupamento de Escolas.

 

J,R: Qual é a importância do Programa das Artes Fernanda Botelho?

TC: Este programa, no meu ponto de vista, dá a possibilidade da experimentação, ou seja, a partir deste programa os alunos podem experimentar artes que de outra forma não poderiam. Especialmente num concelho como o nosso, que é distante das cidades grandes, em que não existe tanta oportunidade artística em que os nossos alunos, jovens e crianças não teriam a possibilidade de participar, como é o caso do design gráfico, do teatro e da dança. (…)

No entanto, há aqui diversas formas artísticas em que existe a possibilidade de experimentar, de frequentar aulas e oficinas que de outra forma não teriam. Eu acho que é extremamente importante, especialmente para os alunos do 3.º Ciclo, conhecerem outras formas de estar na vida, outras formas de cultura, outras formas de fazer. E o programa contribuiu muito para essa amplitude de conhecimento, daí a importância que eu dou ao Programa das Artes.

 

J,R: Fernanda Botelho. Porquê ela e o que tem de especial?

TC: Portanto, o porquê dela, de ser a Fernanda Botelho, é muito simples. Fernanda Botelho foi uma escritora bem-sucedida no século XX que residiu no nosso concelho, por cerca de 10 anos, na aldeia da Vermelha, como vocês sabem. Não temos nenhuma outra escritora com esta grandiosidade a ter residido no concelho, portanto Fernanda Botelho é, por excelência, a nossa maior escritora do concelho, não sendo ela de cá, mas como tem família cá, Fernanda Botelho passou a fazer parte do nosso território. Está também implícita aqui a Associação Gritos Da Minha Dança, que é a associação que detém a memória cultural e o espólio literário da escritora, é uma associação que é presidida pela neta, Joana Botelho, cuja sede é na casa onde viveu Fernanda Botelho nestes 10 anos, na Vermelha. Essa casa é a Casa-Memória, onde se reúne todo o espólio literário, os livros que ela escreveu, os livros que ela leu e os livros que ela estudou e onde está também parte da família direta da Fernanda Botelho, que ainda vive cá nessa casa no nosso concelho. Na literatura, porquê Fernanda Botelho? Fernanda Botelho foi uma mulher que no tempo dela rompeu barreiras na literatura, era feminista, mas sem saber que estava a ser feminista, pois este termo do feminismo apareceu depois dos anos 70, especialmente depois do 25 de Abril, mas ela nos anos 50-60 já era uma feminista que já escrevia sobre mulheres que rompiam com os padrões da sociedade na altura. Escreveu muito sobre a parte sexual das mulheres, escreveu muito sobre as mulheres traírem os maridos, o que na altura era tabu, não se falava. Fernanda Botelho teve a audácia de falar (escrever) sobre temas que não eram tão bem aceites e ainda por cima escritos por uma mulher, portanto teve esta coragem e esta grandiosidade de ser feminista num tempo em que ainda não havia feminismo, ou seja, não havia um feminismo assumido. (…)

A importância dela na literatura portuguesa é isso, romper barreiras, e também fundou revistas literárias, com o Jorge de Sena e Vergílio Ferreira, contemporâneos dela e pessoas bastante importantes na literatura, e a importância dela é essa, uma mulher que conseguiu erguer-se num universo literário masculino.

 

J,R: Como é que a cultura pode evoluir de forma a chegar mais perto da educação?

TC: A cultura para chegar mais perto da educação tem de ter um processo de envolvimento, ou seja, os alunos têm de se envolver com a própria cultura. 

Portanto, isto quer dizer o quê? Por exemplo, aquela exposição que nós temos neste momento na Biblioteca, “Coordenadas do Lugar Íntimo”, é uma exposição constituída por objetos feitos pelos alunos. Os alunos que estiveram integrados no Programa das Artes construíram aquela exposição. Ela foi montada pela Joana Botelho e pela Marta Pinheiro Bernardino com o nosso apoio da Biblioteca, mas ela é feita com objetos artísticos feitos pelos alunos, portanto, houve aqui um envolvimento pelos alunos na parte cultural, não na montagem da exposição mas no conteúdo da exposição. A cultura deve ser envolvida, ou seja, se vocês forem convidados a fazer obras de arte, estão-se a envolver, e isto dá muito mais motivação para depois vir a conhecer, a ver e a levar pessoas. Os alunos levam os pais à exposição que eles próprios construíram. (…)

Portanto, a cultura tem sempre de passar por uma parte integrante de envolvimento dos alunos.

 

R,J: O que considera que falta na educação de hoje?

TC: Falta muita coisa na educação de hoje, e falta acima de tudo respeito pela individualidade do aluno, ou seja, os alunos não são iguais. Cada um tem os seus próprios interesses, todos nós temos diferentes formas de estar na vida. E eu acho que falta esta liberdade, uma liberdade para o aluno aprender. Nós não somos todos geniais, não somos todos menos-geniais, não somos todos médios. Somos todos diferentes. Ninguém aprende da mesma maneira. E é isso que eu acho que falta no nosso ensino: a capacidade dos alunos poderem seguir ao seu próprio ritmo, poderem estudar aquilo que mais os interessa, se bem que não estão numa idade em que ‘Eu já sei que quero ser advogado quando for grande’; OK, isto é um processo, mas podem também experimentar, por exemplo, no direito, a arte da oratória, o advogado tem de saber falar, saber argumentar. O aluno não tem essa possibilidade, não há este desbravar das capacidades de cada um dos alunos, não, há um sistema de ensino coletivo em que temos todos de seguir os mesmos moldes, e eu acho que é isso que falta, a liberdade de cada aluno ir seguindo ao seu ritmo e ir testando, mas isto envolveria toda a reforma do sistema educativo. (…)

 

J,R: No futuro próximo, o que é que acha que se deve incluir na cultura urgentemente?

TC: Urgentemente, temos de incluir a capacidade de raciocínio, de opinião própria, pois nós estamos formatados apenas a ler e a responder o que ‘está ali’, e acho que já não se cultiva tanto a capacidade de interpretação, de raciocínio e de massa crítica (essa massa crítica nós adquirimos mais tarde), ou seja, no ensino, e especialmente na vossa faixa etária, vocês devem ser mais explorados na parte da construção crítica, ou seja, vocês devem ter uma opinião, não devem acolher ou receber informação como um ponto final. Devem aprender a ler, a interpretar, a criticar e a argumentar, e eu acho que, a curto prazo, é isso que faz falta no ensino. Claro que, por outros lados, também há outras coisas que fazem falta, mas eu acho que, neste momento, aquilo que eu vejo da vossa geração é a falta de capacidade de argumentação, aceitam demasiado a informação, ponto final, e não refletem sobre ela, nem quando são obrigados nos testes, e eu acho que é preciso incentivar, cultivar, criar pensadores e pessoas com liberdade crítica, construtiva, acima de tudo. Porquê? Porque isto pode mudar o mundo, porque se eu tomar tudo como ponto final, nada muda. (…)

Nós temos de ter a capacidade de pensar, raciocinar, recolher informação, estar motivados para conhecer e pesquisar, saber e aprender que a vida não é só o que está à nossa volta, é muito mais, e que a minha ação vai influenciar a ação do outro, ações, que vão influenciando as dos outros.

É esta capacidade de argumentação que é preciso vocês (os alunos) terem, senão o mundo não muda.

 


sexta-feira, 14 de maio de 2021

Masterclass de teatro com Inês Lapa Lopes

 Nesta masterclass de teatro orientada pela artiz Inês Lapa Lopes, os alunos do 5.ºe 6.ºs anos foram convidados a experimentar técnicas de movimento, aquecimento de voz, leitura e ensaios de uma forma diferente e divertida, onde se familiarizaram com a leitura dramatizada. Aprender a fazer, aprender o processo, é a ideia fundamental desta masterclass durante a qual os alunos foram levados através de uma série de jogos a fazer um aquecimento do corpo e da voz, antes de iniciar as leituras do texto.

 Esta divertida atividade de leitura é uma experiência que nos leva a compreender como é ser ator. O trabalho que tem de ser feito feito para chegar ao momento da  representação final. Como se aborda o texto dramático do ponto de vista do ator. Como dar vida e expressão à personagem através da leitura. E assim estes alunos foram pequenos atores durante a divertida manhã de 13 de maio.





 

 

 

 

 




quarta-feira, 12 de maio de 2021

Gatafunho e fábula - Oficina de escrita criativa por Sofia Andrade

 


Antes do processo de escrita vem a leitura. A leitura orientada para os processos de escrita que fazem de Fernanda Botelho uma mestre na arte da palavra.

Inspirado no conto A Gata e a Fábula de Fernanda Botelho,  Gatafunho e fábula é o titulo da oficina de escrita criativa que Sofia  Andrade, investigadora do Centro de Estudos Comparatistas da Faculdade de Letras de Lisboa e colaboradora no Programa das Artes Fernanda Botelho, nós propõe. E, assim começa uma aventura de leitura, de sentidos e sensações para os alunos do 10.º e 12.º anos. A aventura da descoberta da escrita criativa de Fernanda Botelho, dos processos e técnicas utilizadas na criação de Calendário Privado (1958), uma viagem pelas palavras e pela sua imensa riqueza estética, pela linguagem recriada com o trabalho e mestria de uma grande escritora.

Passo a passo, num processo exploratório orientado, os alunos vão percebendo a riqueza do vocabulário utilizado, a sua escolha criteriosa, algumas técnicas narrativas e descritivas e intencionalidades múltiplas, apercebendo-se da complexidade do processo de escrita do texto literário - escrita criativa -



   E, neste jogo,  apercebendo-se do processo de leitura, do seu papel enquanto leitor. E, como um ilustrador também é um leitor, nas capas das edições da editora contexto, o pintor Júlio Pomar, aderiu a este jogo de sentidos. Assim o paratexto que é a capa passa a fazer parte do texto. É uma porta de entrada para a narrativa.

Esta atividade foi desenvolvida no âmbito do Programa das Artes Fernanda Botelho e do Projeto Cientificamente Provável

 



 O nosso muito obrigado a Dr.ª Sofia Andrade

quarta-feira, 6 de maio de 2020

Programa das Artes FERNANDA BOTELHO - 1º ciclo de trabalhos em ambiente digital


No âmbito do Programa das Artes Fernanda Botelho, o primeiro ciclo de apresentação de trabalhos  dos alunos do 11º  e 12º anos sobre a escritora Fernanda Botelho, coordenados pela professora Alice Oliveira, coordenadora do projeto,  terminou dia 4 de Maio com uma brilhante a apresentação dos trabalhos do último grupo em video conferência.
Estas sessões tem como convidadas Joana Botelho, mentora deste projeto e a Dr.ª Sofia Andrade, professora universitária de Literatura Portuguesa em Itália. Ambas as convidadas são investigadoras no Centro de Estudos Comparatistas da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa e têm promovido atividades que se inserem no eixo de literatura, um dos eixos de desenvolvimento deste projeto.
Desenvolvendo, em contexto de sala de aula um currículo local, com investigações sobre a vida e obra de Fernanda Botelho (1926-2007), os alunos são levados a um conhecimento mais aprofundado da obra desta escritora, sendo que o seu trabalho de investigação e interpretação da obra são complementados e apoiados pelas convidadas, numa partilha ativa e reciproca de conhecimentos que se comprova ser bastante enriquecedora para todos os participantes e convidados.
Nas primeiras sessões os grupos apresentaram as suas interpretações/ dramatizações de uma seleção de poemas de Fernanda Botelho bem como da sua vida e obra, revelando a sua capacidade criativa e de resolução de problemas ao transformarem as apresentações, inicialmente pensadas para serem apresentadas ao vivo, em produtos digitais, respondendo de forma admirável às restrições impostas pela situação em que vivemos.
Nesta última sessão, em particular, foi apresentada uma notável investigação da genealogia de Camilo Castelo Branco, Abel Botelho e de Fernanda Botelho realizada por um dos elementos do grupo, baseada em fontes digitais, fontes literárias como " Amor de Perdição " de Camilo Castelo Branco e dados fornecidos por Joana Botelho. Esta investigação pretendia responder à pergunta: Qual a ligação entre Fernanda Botelho e Camilo Castelo Branco?
Outro elemento do grupo organizou uma apresentação sobre a obra da escritora, destacando a sua importância na vida cultural portuguesa e a constituição da Casa-Memória Fernanda Botelho no concelho do Cadaval.
O grupo selecionou dois poemas de Coordenadas Líricas, obra publicada em 1958 para apresentar. -"Mentira" e  "Legenda" . A partir destes poemas o grupo concluiu algumas marcas de estilo de Fernanda Botelho.
A complementar a apresentação do grupo Joana Botelho partilhou um extrato de "Gritos da minha dança" onde Fernanda Botelho relata as circunstâncias da sua prisão. É um episódio cheio de ironia e sarcasmo, um dos aspetos mais marcantes do estilo da escritora. Por seu lado, Sofia de Andrade ajudou os alunos a irem mais além nas suas interpretações dos poemas, fornecendo-lhes mais pistas interpretativas a partir da linguagem dos poemas para um entendimento mais profundo do eu lírico dos poemas, o qual é sintetizado nas próprias palavras da autora que Joana Botelho relembra:
" Toda a minha obra é um conjunto de fragmentos que fazem parte de um polìptico".
A  contribuição de Sofia de Andrade levou os alunos a um entendimento mais profundo da análise literária, chamando a atenção para a importância da  interpretação e inferência, complementada pela cultura do próprio leitor e da necessidade de se procurar entender diversos significados das palavras.
No final deste ciclo de apresentações, Joana Botelho deixou um convite para a visita à Casa- Memória de Fernanda Botelho.